A Ciência Traduzida

Zinco e Selénio: Os Minerais Esquecidos da Defesa Imunitária

MC Mariana Costa · 29 de setembro de 2026 · 7 min de leitura
Mulher a polvilhar sementes de abóbora numa taça de iogurte, com ovos e marisco, fontes de zinco e selénio

Zinco e selénio: os minerais que trabalham nos bastidores da imunidade.

Quando falamos de imunidade no outono, o holofote vai quase sempre para a vitamina D e para o própolis. Mas há dois minerais que trabalham nos bastidores de quase todas as defesas do corpo e que raramente entram na conversa: o zinco e o selénio. A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) reconhece que ambos contribuem para o normal funcionamento do sistema imunitário, e mesmo assim o aporte de muitos adultos em Portugal fica aquém do ideal. Neste artigo, satélite do nosso Imunidade de Outono: O Sistema Completo de Prevenção Antes de o Frio Chegar, traduzimos o que a ciência diz, sem promessas de cura, e mostramos como garantir níveis adequados antes de o frio apertar.

O que o zinco e o selénio fazem pela imunidade

O zinco é um cofator de centenas de enzimas e é essencial para o desenvolvimento e a função das células imunitárias, dos neutrófilos às células natural killer e aos linfócitos T. É por isso que a EFSA autoriza a alegação de que o zinco contribui para o normal funcionamento do sistema imunitário.

O selénio atua por uma via diferente: é incorporado em selenoproteínas, como as glutationa peroxidases, que protegem as células imunitárias do stress oxidativo gerado durante uma infeção. Quando o selénio escasseia, a resposta imunitária torna-se menos eficaz. Também aqui a EFSA reconhece o contributo do selénio para o normal funcionamento do sistema imunitário.

Repara na palavra que se repete: normal. Estes minerais não são um turbo para quem já está bem nutrido. São peças que, quando faltam, fazem a máquina funcionar pior. O objetivo é a suficiência, não o excesso.

Onde os encontrar no prato

O zinco está sobretudo em alimentos de origem animal e em sementes: ostras e marisco, carne, sementes de abóbora, leguminosas e frutos secos. Há um detalhe de biodisponibilidade que muitas vezes se esquece: os fitatos presentes em leguminosas e cereais integrais reduzem a absorção do zinco. Demolhar, fermentar ou germinar estes alimentos melhora o aproveitamento do mineral.

O selénio tem uma fonte quase caricatural de tão concentrada: a castanha-do-brasil. Uma a duas castanhas podem chegar para cobrir as necessidades diárias. Peixe, ovos e marisco também contribuem. O senão é que o teor de selénio nos alimentos depende do solo onde crescem, e os solos europeus são naturalmente pobres em selénio quando comparados com os norte-americanos.

Mãos a partir uma castanha-do-brasil, fonte de selénio, ao lado de sementes de abóbora e marisco fresco

Uma a duas castanhas-do-brasil chegam para o selénio do dia.

Porque é que tantos adultos ficam aquém

Não é um problema teórico. Uma revisão do aporte europeu concluiu que a ingestão e o estado de selénio são subótimos na Europa, ao contrário do que acontece na América do Norte. Em dados de ingestão de referência, o consumo médio ronda os 8 mg de zinco e 75 µg de selénio por dia, valores que deixam uma fatia da população abaixo do recomendado, sobretudo entre quem come pouca proteína animal.

Os sinais de um aporte insuficiente são inespecíficos: mais infeções respiratórias do que o habitual, feridas que cicatrizam devagar, cansaço. Nenhum destes sintomas confirma um défice por si só. A regra é a mesma que aplicámos à vitamina D: não adivinhes, mede. Se há suspeita, uma análise ao sangue pedida pelo teu médico vale mais do que qualquer autodiagnóstico.

Como complementar com segurança

Primeiro, a comida. Um prato que combine marisco ou carne, sementes de abóbora e uma castanha-do-brasil cobre boa parte das necessidades sem qualquer cápsula.

Quando o aporte alimentar é baixo, um suplemento faz sentido, mas com duas ressalvas honestas. No caso do zinco, a evidência mais citada é sobre a duração das constipações: pastilhas de zinco em doses altas encurtaram os sintomas em cerca de 33% em alguns ensaios, e revisões apontam para menos dois dias de constipação. Mas isto é um contexto de tratamento com megadoses, não de prevenção diária. A revisão Cochrane de 2024 é clara: o zinco tem pouco ou nenhum efeito na prevenção de constipações. O que faz sentido no dia a dia é garantir a suficiência, não tomar doses terapêuticas às cegas.

No selénio, o cuidado é ainda maior. Uma meta-análise de estudos em humanos mostrou uma relação em U invertido: abaixo e acima de um certo nível, a função das células natural killer piora. Mais selénio não é melhor, e o excesso pode ser prejudicial. Respeitar os limites superiores de ingestão não é um detalhe, é segurança.

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Zinco e selénio na tua rotina de outono

Traduzido em gestos simples: uma a duas castanhas-do-brasil por dia para o selénio, sementes de abóbora no iogurte ou na salada, marisco ou carne algumas vezes por semana. Se suplementares zinco, toma-o com uma refeição para evitar náuseas e evita doses altas prolongadas, que competem com a absorção de cobre. E lembra-te de que estes minerais são um alicerce de prevenção, nunca um substituto de cuidados médicos quando já estás doente.

Mulher a dissolver um scoop de Immunity Boost numa garrafa de água na cozinha antes de sair de casa

Um scoop dissolvido em água: prático, para levar na mochila.

Resumo em 6 pontos
  • Zinco e selénio contribuem para o normal funcionamento do sistema imunitário (alegações reconhecidas pela EFSA).
  • O zinco é cofator de enzimas e da função das células imunitárias; o selénio protege-as através de selenoproteínas antioxidantes.
  • Fontes: zinco em marisco, carne, sementes e leguminosas; selénio na castanha-do-brasil, peixe e ovos.
  • Na Europa, o aporte de selénio é frequentemente subótimo e o de zinco médio ronda os 8 mg/dia.
  • A evidência do zinco é sobre encurtar constipações com megadoses, não sobre preveni-las; o objetivo diário é a suficiência.
  • No selénio vale a regra do U invertido: mais não é melhor, respeita os limites de ingestão.

FAQ

Não de forma fiável. A revisão Cochrane de 2024 conclui que o zinco tem pouco ou nenhum efeito na prevenção. Há evidência de que doses altas podem encurtar a duração de uma constipação já instalada, mas isso é tratamento, não prevenção. O papel diário do zinco é manter o sistema imunitário a funcionar normalmente.
Uma a duas por dia costumam chegar para cobrir as necessidades de selénio. Mais do que isso, de forma continuada, pode ultrapassar os limites recomendados, por isso não convém exagerar.
Sim, e é uma combinação comum. O importante é ficar dentro das doses adequadas e não somar vários suplementos com os mesmos minerais sem saber o total.
Os sintomas são inespecíficos e não servem para diagnóstico. Se há suspeita, o caminho é uma análise ao sangue pedida pelo teu médico.
O Immunity Boost combina própolis, vitamina D3 e zinco. O selénio deves garanti-lo pela alimentação, sobretudo através da castanha-do-brasil, do peixe e dos ovos.

MC
Sobre a autora
Mariana Costa
Nutricionista e colaboradora Zelthy. Escreve sobre nutrição funcional, recuperação e suplementação baseada na evidência, com foco em traduzir a literatura científica em escolhas práticas para o dia a dia.
Este artigo tem fins informativos e educativos e foca-se na prevenção e no bem-estar, não no tratamento de doenças. Não substitui aconselhamento médico. Se tens sintomas persistentes, tomas medicação ou tens uma condição de saúde, fala com o teu médico ou farmacêutico antes de alterares a suplementação.